Categoria: Artigos
Data: 10/05/2026

Essa semana meus olhos encontraram um romance histórico escrito por Maggie O'Farrell chamado Hamnet (2020). Nessa obra ficcional, a autora parte de fatos reais sobre a família de William Shakespeare, especialmente sobre seu filho Hamnet Shakespeare, que morreu aos 11 anos em 1596, provavelmente vítima de peste bubônica, e explora a hipótese de que sua morte influenciou a escrita da peça Hamlet em 1600. 

Precisei assistir ao filme e confesso que fui impactado com uma das atuações mais viscerais da maternidade que já vi. Das dores solitárias nos partos, passando pelo alto custo em criar três filhos na casa de sogros cruéis - enquanto o esposo estava em Londres buscando seu espaço no mundo - até cair de sono durante o cuidado dos filhos doentes, e a inevitável morte em seus braços de um deles, eu estive diante de um amor agonizante: o amor de uma mãe chamada Agnes, o amor caótico de muitas mães entre nós.

Não há dúvidas de que as provações angustiantes na criação de filhos são agravadas quando o homem está ausente nos momentos mais difíceis e sombrios da maternidade. Mas não é como essas dificuldades sejam insuperáveis e que os papéis do homem e da mulher sejam simétricos e insubstituíveis - não o são. Essa história me lembrou que cada um tem seu papel e deve assumir os pesos da criação de filhos sem atribuir injustiça ou fonte de ressentimento ao outro cônjuge, a sociedade, a Igreja ou a Deus - e aqui se encontra a beleza caótica do amor de uma mãe. 

  • É único. O Senhor pergunta: “Será que uma mulher pode se esquecer do filho que ainda mama, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre?” (Is 49.15a). E ainda que ela venha a se esquecer desse filho, o que é incrivelmente difícil, pois vive um amor único e multiplicável, Deus jamais se esquece de nós (v.15b).
  • É carinhoso. Na ausência física de um pai que precisa trazer sustento financeiro para casa, enquanto assume o papel de pastorear o lar, como, por exemplo, um pai caminhoneiro que precisa viajar dias à fio, mas não descuida de acompanhar como pode a educação dos filhos e a vida deles com Deus, cabe a mãe acariciar seus filhos - e ninguém faz isso como ela, pois está pronta a oferecer não apenas o Evangelho, mas até mesmo a própria vida (1 Ts 2.7-8).
  • É sofrido. O amor de uma mãe temente ao Senhor é perseverante e doloroso, como se ela vivesse a sofrer dores de parto, até que Cristo seja formado neles (Gl 4.19). É uma mãe que ora pelo filho sem emprego, que ora e aconselha aquele que tem enfrentado problemas de relacionamentos e nunca descuida de orar para que este filho tema e trema diante de Deus, pois sabe que não há nada mais precioso que possa lhe desejar (Lm 3.21-23).
  • É oculto. O amor dessa mulher cuida do bom andamento da sua casa e não é preguiçoso, e ainda que aparentemente invisível é louvado por seu cônjuge e filhos (Pv 31.27-28).

Mãe, antes de ser valorizada pelos seus filhos e cônjuge, lembre-se que é valorizada por Deus em tudo o que você enfrenta. Seus filhos são sua herança nesta terra (Sl 127.3-5) e o Senhor é a sua porção pela eternidade, por isso espere nele a sua alegria e satisfação (Lm 3.24).

Em Cristo,

Rev. André Dantas




Autor: André Dantas   |   Visualizações: 5 pessoas
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