Temos o costume de pensar que estar ocupado é coisa de pessoa disciplinada. Nos vem à mente o trabalhador de escritório atarefado, o pastor com a agenda lotada de atividades ou a dona de casa que dá conta de tudo, com os filhos a tiracolo. Mas existe um tipo de correria que, longe de ser produtiva, serve como disfarce para a preguiça.
C. S. Lewis certa vez observou que “os professores costumam dizer que o aluno mais preguiçoso da turma é aquele que mais se esforça no final" - e eu concordo com essa observação dele. Como já falei antes, o caminho mais difícil costuma ser o mais fácil. Mas e se isso também se aplicar à correria do dia a dia? E se, optarmos por estar sempre ocupados, não estivermos sendo mais produtivos, mas sim preguiçosos?
A princípio parece uma contradição, porque estar ocupado é um tipo de trabalho árduo. Mas estar muito ocupado também pode ser uma forma de se esconder de um tipo de trabalho ainda mais custoso: tomar decisões difíceis.
Eugene Peterson, retomando a linha de raciocínio de Lewis, expõe o problema claramente: “Estou ocupado porque sou preguiçoso. Deixo, sem qualquer impedimento, que outros decidam que o farei, em vez de decidir por mim mesmo com firmeza”. E concluí: “Ao abdicarmos preguiçosamente do trabalho essencial de decidir e dirigir, de estabelecer valores e definir metas, outras pessoas fazem isso por nós”.
A preguiça descrita por Peterson é a recusa de diminuir o ritmo o suficiente para planejar e decidir o que é mais importante. Ironicamente, ao nos mantermos tão ocupados a ponto de não conseguirmos pensar, na verdade estamos falhando com a tarefa de administrar os recursos confiados a Deus em nossas mãos com seriedade.
O que poderia ser mais fácil do que parar? O que é mais simples do que desacelerar? No entanto, desacelerar exige uma força de vontade incrível. Quando a vida parece agitada e fora de controle, todos os nossos instintos nos dizem que precisamos ir mais rápido, não mais devagar. Mas isso é uma grande tolice. Se você sente que a sua vida está saindo do controle com excesso de compromissos e ocupação sem fim, acelerar é a última coisa de que você precisa!
Se um dono de fábrica perceber que todos os produtos da linha de produção têm algum defeito visível, ele irá dizer aos seus funcionários: “Continuem, precisamos atingir a meta!"? Não, quanto mais cedo ele parar a produção, menos material e tempo irá desperdiçar. Então, por que é tão difícil para nós enxergarmos essa mesma verdade quando se trata da correria sem freios em nossas vidas?
Porque as decisões nos impulsionam na direção oposta à da eficiência, e seus resultados são difíceis de mensurar. Quando vemos a produtividade pessoal puramente como uma questão de eficiência, temos muita dificuldade de tolerar qualquer coisa que nos atrase. Mas, na maioria das vezes, as coisas mais valiosas que fazemos não podem ser medidas.
Permita-me um exemplo pessoal. Em termos de resultados mensuráveis, caminhar é a coisa menos produtiva que faço diariamente. Não consigo escrever enquanto caminho, nem trabalhar no meu computador. Nada “é feito” quando estou andando pela floresta. Mas cheguei à conclusão de que, na verdade, minhas caminhadas são a parte mais produtiva da minha semana. E não me refiro apenas ao exercício físico.
É durante essas caminhadas que tomo as decisões mais importantes. Refletindo bem, ouso dizer que todas as grandes mudanças de direção na minha vida, trabalho, e família aconteceram em caminhadas, férias ou conversas informais - justamente quando não estou ocupado.
A ocupação desaponderada pode te impulsionar linearmente para frente. As tarefas são riscadas da lista e você vive para lutar mais outro dia. Mas as decisões têm poder de alavanca. O problema é que essa ocupação sem freio e decisões são como óleo e água. Se você tenta medir sua produtividade apenas pelas horas gastas no computador, pelas roupas lavadas, reuniões participadas ou e-mail enviados, você não está levando em conta o fator mais importante de todos: aquilo em que você escolheu trabalhar é astronomicamente mais importante do que a eficiência com que você trabalha nisso. Você nem mesmo está levando em conta o fato que o resultado mais importante é o bom fruto que advém como consequência do seu trabalho nisso para o Senhor.
Há tempo para sentar, fazer o trabalho e ser uma abelha operária bem produtiva. Mas se você não tem reservado um tempo intencional em sua vida para desacelerar e refletir sobre o que está fazendo da sua vida e para onde está indo, você poderá se encontrar em um lugar indesejado, trabalhando incessantemente em direção a um futuro que nem sequer deseja.
Então não seja preguiçoso, vá com calma.
Reagan Rose
I'm busy because I'm lazy - 23 de abril de 2026 - Redeeming Productivity - https://redeemingproductivity.com/youre-busy-because-youre-lazy/