Talvez você seja daquelas pessoas que está cansada de se sentar à mesa do Natal e ouvir as mesmas perguntas: “quando você vai namorar?” Ou “quando você vai casar?”. Se você já é casado, talvez esteja cansado de ouvir: “quando virá o primeiro bebê?”.
A realidade é que, por trás de todas essas perguntas que muitas vezes revelam a frustração dos nossos corações, existe na maioria das vezes, uma pessoa que nos ama e se preocupa com as nossas vidas. Talvez a piada do tiozão no Natal esteja tão saturado para você, mas pode ser que tenha sido o último Natal que você tenha ouvido o tiozão fazer a temida piadinha.
A pergunta que eu gostaria de deixar na pastoral desta semana é: como temos respondido as pessoas que amamos, quando estamos do outro lado da mesa, com nossas frustrações?
E aqui não quero apenas deixar no contexto familiar ou contexto de Natal. Quero abrir para todo o contexto da igreja e daqueles que estão ao nosso redor.
A Escritura nos ensina que “a resposta branda desvia o furor” (Pv 15.1). O evangelho nos convida a submeter nossas frustrações ao senhorio de Cristo. Quando reagimos com aspereza, mesmo diante de perguntas bem intencionadas, revelamos o quanto ainda estamos tentando proteger nosso coração com armaduras que Deus nunca nos pediu para vestir.
Isso toca em um ponto que para todos nós, em algum momento, será um grito da alma, que é a nossa identidade. E devemos nos lembrar que a nossa identidade está firmada em Cristo. Não somos definidos pelo estado civil, pela maternidade ou paternidade, nem pelo ritmo com que nossa vida se desenvolve. Somos definidos por termos sido chamados filhos de Deus (1Jo 3.1). Quando essa verdade se aprofunda em nós, ela começa a moldar também a forma como falamos.
Responder com doçura à igreja é, também, um ato de fé. É confiar que Deus governa os tempos da nossa vida e que Ele também usa o corpo de Cristo, com suas perguntas imperfeitas, para nos lembrar de que não caminhamos sozinhos. Ser doce não significa concordar com tudo, nem se expor além do que é saudável. Significa falar a verdade com graça, colocar limites sem ferir, e lembrar que o nosso irmão estará conosco um dia na eternidade, celebrando a mesma vitória em Cristo.
A igreja não é um tribunal onde precisamos nos defender. A igreja é uma família onde aprendemos a amar e a ser amados em nossa incompletude. Quando escolhemos responder com mansidão, mesmo a partir da frustração, testemunhamos que Cristo está sendo formado em nós. Nossa resposta se torna, então, mais do que palavras. Ela nos mostra onde a paciência de Deus nos ensinou a tratar os outros como Ele nos trata.
Que o Senhor nos dê corações suficientemente curados para não ferir, e suficientemente humildes para reconhecer que a doçura é uma forma estrondosa e poderosa, de amar a igreja de Cristo.
Em Cristo,
Guilherme dos Santos