Categoria: Artigos
Data: 28/12/2025

Ué? O Natal já passou, pastor! Não era para a pastoral tratar de planos e metas para 2026? Diga-nos, por obséquio, por que cargas d’água falar do estereótipo dos tios que repetem, ano após ano, a piada do “é pavê ou pra comer”, que perguntam onde está a namoradinha e, pasme, ainda indagam quando virá o bebê? O que isso tem a ver com ser Igreja!?

O tio do pavê fala por falar. Todos os anos a mesma piada é repetida sem dó apenas para preencher o silêncio. Mas quem semeia vento costuma colher tempestade. Falar muito não é o mesmo que falar com propósito, peso e graça. O cristão deve manter distância da palavra suja e tola, pois sua boca foi feita para edificar e transmitir graça aos que ouvem (Ef 4.29). Lembre-se: nem toda palavra “engraçada” é inocente. Domine a sua língua.

O tio do pavê tenta vencer pelo cansaço. Age com insensatez, como o cão que volta ao seu próprio vômito, repetindo a tolice sem pudor (Pv 26.11). O que ele talvez não perceba é que frases de efeito perdem rapidamente o impacto. A Palavra de Deus, porém, jamais o perde. “Tenho visto que toda perfeição tem o seu limite, mas o teu mandamento é ilimitado” (Sl 119.96). Evite conversas rasas em 2026. Faça cada minuto contar (Sl 90.12).

O tio do pavê gosta de atenção. Busca risos, reações — positivas ou negativas — e, no fundo, algum poder sobre a roda. O Senhor, porém, nos chama a pensar no que falamos e vivemos à luz de quem desejamos glorificar. Falamos para nossa própria aprovação ou para a glória de Deus? Não viva o próximo ano refém da opinião alheia. Viva para a satisfação de Deus.

O tio do pavê recorre ao humor para constranger. Quando não usa piadas e perguntas inapropriadas para preencher o vazio, ele as usa para pisar no calo de quem não gosta ou simplesmente por uma diversão perversa. A alfinetada costuma partir de um fato conhecido, como alguém que levou um calote, rompeu um relacionamento ou foi demitido, para constrangê-lo em público como se fosse algo cômico. Essa pessoa é como o louco que lança fogo, flechas e morte e diz: “Fiz isso por brincadeira”(Pv 26.18-19). 

O tio do pavê usa o humor como fim, e não como meio. Não há pecado em rir de uma boa piada. Jesus usou imagens simples da vida cotidiana para comunicar verdades profundas — e, em alguns momentos, há até traços de humor em seus ensinos. O problema é ficar apenas na superfície. O tio do pavê nunca avança para uma conversa significativa; limita-se a matar o tempo até a próxima ceia de Natal.

Mais do que apenas traçar metas, comece agora fugindo da repetição vazia, da busca por atenção e da superficialidade. Busque a Palavra para enxergar a si mesmo com mais clareza, pois ela é útil para expor, corrigir e redirecionar para Cristo (2Tm 3.16).

Feliz Ano Novo!

Rev. André Dantas



Autor: Rev. André Dantas da Silva   |   Visualizações: 14 pessoas
Compartilhar: Facebook Twitter LinkedIn Whatsapp

Deixe seu comentário